AJ ESCLARECE
“Entre o Cuidado e o Controlo: Onde traças o teu limite?”

11.º e 12.º AJD
02/03/2026

O amor não controla, não vigia e não impõe. Ainda assim, comportamentos muitas vezes vistos como gestos de carinho podem esconder formas subtis de violência. Pedir a palavra-passe “porque confia”, exigir a localização “para saber se está tudo bem” ou decidir com quem o outro pode falar “para evitar problemas” não são provas de amor, são sinais de controlo.

blueimp Gallery
Veja todas as imagens na GALERIA DE IMAGENS disponível no fim desta página.

 

Foi a partir desta reflexão que nasceu o projeto “Entre o Cuidado e o Controlo: Onde traças o teu limite?”, desenvolvido no âmbito do Projeto Ser+ do Curso de Assessoria Jurídica e Documentação (AJD), que promove a literacia jurídica e a consciência dos direitos e deveres de cada cidadão.


A violência no namoro traduz-se num conjunto de comportamentos abusivos, pontuais ou repetitivos, que visam dominar, humilhar ou causar medo. Pode assumir várias formas: psicológica, verbal, física, sexual e digital. Muitas atitudes parecem inofensivas, mas, quando o respeito desaparece, a relação deixa de ser saudável.


Em fevereiro de 2026, a APAV lançou a campanha “O RelationChip é falso, o controlo é real”, simulando um chip que permitiria monitorizar o parceiro. A ideia, embora fictícia, reflete a realidade de muitas relações marcadas pelo controlo. Entre 2022 e 2025, a APAV apoiou 1 343 vítimas de violência em relações atuais e 2 625 em contexto pós-rutura, provando que a violência pode continuar mesmo após o fim da relação. Os dados de 2025 revelam uma tendência preocupante: 18 549 vítimas apoiadas pela APAV (mais 42% do que em 2019) e 35 341 crimes registados, dos quais 73,9% correspondem à violência doméstica. A Polícia de Segurança Pública (PSP) registou 1 663 denúncias de violência no namoro, mais 15% do que no ano anterior. O aumento pode significar maior confiança em denunciar, mas confirma que a violência continua presente nas relações jovens.


Uma relação saudável baseia-se em respeito, consentimento, liberdade, confiança e comunicação, nunca em medo, pressão ou controlo. Pergunta-te: sinto-me livre nesta relação? Posso dizer “não” sem medo? Posso manter os meus amigos e interesses? Sinto-me respeitado/a? Se a resposta for “não”, algo está errado.


É importante, também, sublinhar que a violência no namoro é crime. Segundo o artigo 152.º do Código Penal, enquadra-se no crime de violência doméstica, sendo um crime público (não depende de queixa da vítima), podendo implicar pena de prisão e medidas de afastamento. Para reforçar a prevenção, a PSP realizou a operação “No Namoro Não Há Guerra”, com 398 ações em 223 escolas e mais de 14 mil participantes.


No Colégio Internato dos Carvalhos, o projeto “Entre o Cuidado e o Controlo: Onde traças o teu limite?” incluiu um vídeo de sensibilização, um questionário de reflexão e o “Museu das Roupas”, com frases reais que expõem a normalização do abuso. O objetivo foi provocar reflexão, mostrando como a violência muitas vezes começa com frases como “Se me amas, fazes isto” ou “É só porque me preocupo”. O projeto incluiu também um questionário com algumas perguntas intencionalmente ambíguas sobre o que os alunos consideram ser controlo ou cuidado. Recebemos cerca de 360 respostas, que revelaram que ainda existe uma percentagem significativa de alunos que concorda com comportamentos controladores e abusivos, muitas vezes sem se aperceber disso.


Se tu ou alguém que conheces precisa de ajuda, contacta a Linha de Apoio à Vítima – 116 006 (APAV), a PSP ou a Linha de Apoio ao Cliente da IKEA (+351 21 989 99 45 – opção 8). Quebra o ciclo, não tenhas medo de pedir ajuda!


11.º e 12.º AJD

 

GALERIA DE IMAGENS