Falar Saúde n.º 138
O silencioso HPV.

Prof.ª Isabel Cristina
10/03/2026

O Papilomavírus Humano (HPV) é uma das infeções sexualmente transmissíveis mais comuns no mundo. Estima-se que cerca de 80% das pessoas sexualmente ativas terão contacto com o vírus em algum momento da sua vida, frequentemente sem se aperceberem, porque o HPV pode ser silencioso (sem sintomas), o que significa que uma pessoa pode transmiti-lo sem saber. Entre jovens e adultos jovens, a infeção é ainda mais frequente. Investigadores estimam que mais de metade dos jovens entre os 16 e os 25 anos já tiveram contacto com o HPV.

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“A mais urgente pergunta a ser feita nesta vida é:
- O que fiz hoje pelos outros?”

(Martin Luther King)

 

A falta de informação faz com que ainda existam dúvidas e preconceitos sobre o HPV. Por isso, é importante que os jovens compreendam o que é este vírus, como se transmite, quais podem ser as suas consequências e como se pode prevenir.


O HPV é, na realidade, um grupo de vírus que infetam a pele e as mucosas do corpo humano. Atualmente, os cientistas já identificaram mais de 200 tipos de HPV, dos quais cerca de 40 podem afetar a região genital. Podemos imaginar estes diferentes tipos de HPV como membros de uma grande família. Alguns são relativamente inofensivos e provocam apenas verrugas na pele ou na região genital. Outros, no entanto, são considerados de alto risco, porque podem provocar alterações nas células do corpo que, ao longo de vários anos, podem evoluir para certos tipos de cancro. Entre as doenças mais associadas ao HPV encontra-se o cancro do colo do útero, mas o vírus também pode estar relacionado com cancros do ânus, do pénis e de algumas regiões da boca e da garganta.


O HPV transmite-se, principalmente, através do contacto direto entre pele ou mucosas durante a atividade sexual. Isso inclui relações sexuais vaginais, anais ou orais, mas também pode ocorrer apenas através do contacto íntimo entre os órgãos genitais, mesmo sem penetração. Imaginem o vírus como uma tinta invisível que pode passar de uma superfície para outra quando há contacto direto. Mesmo quando não é visível ou não causa sintomas, a transmissão pode acontecer. Além disso, como já referido, muitas pessoas infetadas não apresentam qualquer sinal ou sintoma, o que significa que podem transmitir o vírus sem saber.


Na maioria das situações, o sistema imunitário consegue eliminar o HPV, naturalmente, ao longo do tempo. Nesse caso, a pessoa pode nunca desenvolver sintomas. No entanto, em alguns casos, o vírus permanece no organismo durante vários anos. Quando isso acontece, podem surgir verrugas genitais, que são pequenas lesões na pele da região genital ou anal. Em situações mais raras, certos tipos de HPV podem provocar alterações nas células. Se essas alterações não forem detetadas e tratadas, podem evoluir lentamente para cancro. Este processo geralmente demora muitos anos, o que permite que a prevenção e o acompanhamento médico sejam muito eficazes. Podemos comparar este processo a uma pequena fissura numa parede: no início parece insignificante, mas se não for observada ou reparada ao longo do tempo, pode tornar-se um problema maior.


Felizmente, existem formas eficazes de prevenir a infeção pelo HPV!

 

  • A medida mais importante é a vacinação contra o HPV.

    A vacina ajuda o sistema imunitário a reconhecer e combater os tipos de vírus que estão associados à maioria dos casos de cancro e verrugas genitais. Por isso, é recomendada principalmente antes do início da vida sexual, quando a proteção é mais eficaz. Em Portugal, a vacina foi incluída no Programa Nacional de Vacinação (PNV) em 2008 e tem sido altamente eficaz na prevenção de infeções e lesões pré-cancerosas, consolidando-se como uma medida de saúde pública fundamental. Estudos indicam uma redução drástica no risco de cancro do colo do útero, especialmente quando a vacina é administrada antes do início da vida sexual.

  • Outra medida essencial é o uso do preservativo durante as relações sexuais. Embora não elimine totalmente o risco de transmissão, reduz significativamente a probabilidade de infeção e protege também contra outras infeções sexualmente transmissíveis.

  • Por fim, a educação e a informação científica desempenham um papel fundamental. Conhecer os riscos, compreender os mecanismos de transmissão e saber como prevenir são passos essenciais para proteger a saúde.


Muitas pessoas pensam que o HPV é apenas um problema para as mulheres, porque está associado ao cancro do colo do útero. No entanto, os homens também podem ser infetados e desenvolver doenças relacionadas com o vírus, como verrugas genitais ou alguns tipos de cancro (por exemplo, do pénis, do ânus ou da garganta). Desde 2020, o PNV alargou a vacinação a rapazes nascidos a partir de 2009, o que aumenta a imunidade de grupo e reduz a circulação do vírus. A cobertura vacinal para rapazes atingiu 88% em 2023.


Em suma, o cuidado com o HPV começa com a vacinação, passa pela utilização de métodos de barreira e inclui a realização de exames preventivos, para ambos os sexos, sendo um compromisso com a própria saúde e com a da comunidade.

 

Prof.ª Isabel Cristina

 

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