De manhã, a aula destinava-se a consolidar conhecimentos da componente documental do curso tendo ocorrido no espaço do Arquivo Distrital do Porto, instalado no edifício histórico recuperado do Mosteiro de São Bento da Vitória, onde foi possível conhecer as áreas técnicas, os depósitos e as salas de leitura que o compõem. Visitar o Arquivo Distrital do Porto (ADP) é importante porque permite compreender, de forma direta e documentada, a história, a identidade e a memória coletiva do distrito do Porto. 12 km de documentação de conservação permanente, alocada em 10 depósitos, reúnem registos civis, paroquiais, judiciais, administrativos e privados que testemunham séculos de história da região e que são fundamentais para compreender a evolução social, cultural e política do território. Guiados pela Dr.ª Ana Clarinda, ex-sempre aluna do CIC e pela Dr.ª Ana, os alunos observaram processos (estudados em aula) de conservação, restauro e digitalização, essenciais para garantir que estes materiais sobrevivam para as gerações futuras, desmistificando a ideia de que os arquivos são depósitos, apenas de papéis, velhos. Com efeito, foi possível perceber que existem vários suportes documentais em 990 fundos documentais, e que o acesso online é uma preocupação desta instituição para melhor servir estudantes e investigadores, genealogistas, profissionais de história, património e direito e cidadãos que procuram certidões ou documentos antigos através de serviço presencial ou remoto.
Da parte da tarde, e na altura em que se comemoram os 80 anos sobre o final da 2.ª Guerra Mundial, foi importante levar os alunos a um espaço de memória coletiva que conta a história da cidade, mas também da justiça no Porto. Aprofundaram-se conceitos e teorias explanadas na disciplina de História A e na componente jurídica do curso. A visita ao Museu do Conflito, situado no palácio da Justiça do Porto, cujos espaços e obras de arte foram também objeto de observação guiada e comentada pela Dr.ª Vera Medeiros, teve três dimensões principais: educação cívica, memória histórica e compreensão do sistema judicial. Apostando numa linguagem visualmente impactante, interativa e bilingue, o museu foi criado justamente para mostrar que os tribunais existem porque existem conflitos — inevitáveis na vida humana. Ele explica como surgem, como são geridos e quais mecanismos a sociedade desenvolveu para os resolver. Apresenta o lado ético e humanista da Justiça desde logo com a mensagem de que “Os processos não são pessoas de papel.” A exposição inclui processos célebres, como o de Camilo Castelo Branco e Ana Plácido, o do Zé do Telhado, o crime da Rua das Flores e o caso de Soalhães, apresentados sob uma perspetiva humanista que aproxima os alunos das histórias reais por trás dos julgamentos, completados com ferramentas digitais e monitores interativos, incluindo conteúdos de criminologia forense e curiosidades sobre o sistema judicial contemporâneo.
À saída, a mensagem “ao sair desta porta, que o seu passo simbolize um compromisso coletivo para a construção de um mundo mais justo e pacifico” foi a oportunidade para os alunos finalistas do Curso de Assessoria Jurídica e Documentação se posicionarem sobre o seu e nosso papel na resolução dos problemas que atormentam a Humanidade.
12.º Ano do Curso de Assessoria Jurídica e Documentação