A sessão começou com uma visita orientada ao Museu do ISEP, conduzida pela Professora Doutora Patrícia Costa, durante a qual os participantes contactaram com uma coleção de instrumentos científico-didáticos e documentação histórica que testemunham a evolução do ensino técnico e da engenharia em Portugal. Este primeiro momento permitiu reconhecer o valor histórico, científico e pedagógico do acervo, bem como o seu potencial para sustentar abordagens curriculares articuladas entre diferentes áreas disciplinares.
Seguiu-se a atividade “Laboratório de conceção de atividades interdisciplinares em contexto museológico”, dinamizada pela professora Paula Oliveira, que desafiou os docentes a trabalhar, em grupo, a partir de objetos previamente atribuídos pelo Serviço Educativo do Museu do ISEP. A proposta visou a elaboração de pequenas visitas e atividades para turmas do ensino secundário, com definição de objetivos de aprendizagem, tarefas centradas na observação e interpretação dos objetos e construção de produtos finais pedagogicamente relevantes, como roteiros, desafios ou fichas de exploração. Este momento de trabalho colaborativo revelou-se particularmente significativo ao demonstrar como um mesmo objeto museológico pode ser lido a partir de perspetivas distintas e complementares, convocando contributos da História, do Português, da Matemática, da Biologia, da Química, da Informática ou do Direito. Ao colocar os professores no papel de mediadores e criadores de propostas educativas, a atividade reforçou a importância do museu como contexto de aprendizagem ativa e como recurso para práticas pedagógicas mais integradas, críticas e contextualizadas.
A tarde terminou com o “workshop” “Sabonetes em ação: ciência, cheiros e ideias”, orientado pela professora Olívia Magalhães, concebido como extensão prática da visita e do laboratório anteriormente realizados. Através da produção de sabonetes artesanais, os participantes exploraram relações entre património científico-tecnológico, saberes do quotidiano e práticas experimentais, articulando conteúdos de Química, Educação para a Saúde, Sustentabilidade e Educação para o Consumo responsável. A realização deste “workshop” evidenciou, de forma particularmente expressiva, o valor das atividades experimentais “mão na massa” em contexto museológico, não apenas como estratégia de motivação, mas também como dispositivo de mediação cultural e de transposição pedagógica para a sala de aula. Ao promover a articulação entre observação, problematização, produção colaborativa e experimentação, esta sequência formativa consolidou a dimensão experiencial da aprendizagem e reforçou a proximidade entre património, currículo e prática docente.
Com esta iniciativa, o Colégio Internato dos Carvalhos reafirma o seu compromisso com a formação contínua dos professores e com a construção de práticas educativas inovadoras, sustentadas no diálogo entre escola, museu e comunidade. A participação neste percurso formativo confirma, assim, a relevância dos espaços museológicos como lugares de pensamento pedagógico, criação interdisciplinar e valorização do património enquanto recurso vivo ao serviço da educação.
Aliás, os conhecimentos/aprendizagens não se fazem só no CIC: constroem se também nos museus, nas parcerias e nos desafios que ligam a escola ao mundo.
A professora Paula Oliveira agradece à Porto Editora, representada pela Dr.ª Cristina Costa, a cedência de canetas, capas e blocos de notas que apoiaram a realização desta iniciativa.
Prof.ª Paula Oliveira