FALAR SAÚDE Nº 36: O fim da picada

Prof. Isabel Cristina
17/07/2012

Com a chegada do Verão criam-se as condições perfeitas para a proliferação dos mosquitos. Apesar de Portugal não ser um país conhecido por epidemias de doenças associadas às picadas de mosquitos...

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Falar Saúde
15 de Julho de 2012

 

 

 

 

 


Se alguém gosta de se coçar, não nos agradecerá se curarmos a sua comichão.
Morris West


Falar Saúde Nº 36
O fim da picada

Com a chegada do Verão criam-se as condições perfeitas para a proliferação dos mosquitos. Apesar de Portugal não ser um país conhecido por epidemias de doenças associadas às picadas de mosquitos, existem regiões que, pelas suas características de calor, humidade, vegetação e águas paradas, permitem o desenvolvimento de espécies capazes de as transmitir. Assim, no caso de optarem por destinos de férias “cá dentro”, com propensão para a presença de mosquitos, será importante obterem informações sobre os mesmos, de modo a prevenirem o seu “ataque” bem como tratar as malditas picadas.

Os mosquitos alimentam-se basicamente do néctar das plantas, mas as fêmeas podem também alimentar-se de sangue de animais. Os mosquitos não dependem de sangue para sobreviver, porém, o sangue é necessário na produção e desenvolvimento dos seus ovos. A maioria dos mosquitos é mais ativa nos períodos da manhã e no final da tarde, quando há menos calor, sendo estes horários os mais prováveis para se receber uma picada.

Os mosquitos são capazes de reconhecer odores e apresentam predileção por alguns tipos de pessoas em relação a outras. Geralmente são substâncias presentes no suor e na pele que atraem os mosquitos. Uma substância já reconhecida é o dióxido de carbono. Não é impossível que duas pessoas permaneçam num mesmo local povoado por mosquitos e apenas uma delas sofra picadas, ou ainda, uma sofra inúmeras picadas e a outra apenas uma ou duas. Não se sabe bem porquê, mas os mosquitos têm predileção por homens, pessoas obesas, grávidas e pessoas com sangue tipo O. O corpo quente e suado também parece atrair mais os mosquitos.

Antes de sugar, os mosquitos injetam a sua própria saliva, que apresenta propriedades anticoagulantes, impedindo a coagulação do sangue que será ingerido. É esta saliva que costuma causar as reações alérgicas típicas das picadas de mosquito. Na maioria dos casos, a reação à picada é pequena e localizada, sendo os sintomas da picada de mosquito apenas uma pequena elevação avermelhada na pele com intenso prurido (comichão). Os sintomas da picada costumam surgir em 20 minutos e podem causar comichão até 2 dias. Quanto mais sensível a pessoa é à saliva do mosquito, mais extensa e mais intensa costuma ser a reação à picada. Ao longo da vida vamos ganhando resistência às picadas, o que torna as reações menos intensas. É nas crianças que as picadas de mosquito costumam causar mais sintomas.

Além das reações alérgicas e da possível transmissão de doenças por algumas espécies de mosquito, uma outra complicação passível da picada é a infeção secundária causada pelo ato de coçar as lesões. Se o indivíduo coçar a pele com muita força, pode causar lesões, abrindo portas de entrada para as bactérias da pele em direção ao interior do organismo. Diabéticos, por exemplo, são um grupo de risco para desenvolverem infeções de pele secundárias a picadas de mosquitos.

Como evitar as picadas?

É essencial reduzir a população de mosquitos à nossa volta. Deitar fora qualquer tipo de água parada que possa servir como reservatório para os ovos de mosquitos. Evitar deixar as janelas abertas no início da manhã e no final da tarde. Se o calor for muito, usar redes para evitar a entrada de mosquitos. Se a temperatura do ambiente permitir, evitar andar com pouca roupa no final da tarde.

Os repelentes servem para diminuir a atração do mosquito pela sua pele. Devemos dar preferência aos que possuem DEET na sua fórmula. O DEET já é usado há mais de 40 anos como repelente e ainda é o mais efetivo de todos. As fórmulas com DEET 10% podem ser usadas em crianças acima de 2 anos. Os repelentes podem ser aplicados na pele e na roupa. O DEET 10% confere proteção por cerca de 2h enquanto o DEET 30% o faz por até 5h. Este repelente não deve ser administrado mais do que 3x por dia e deve-se evitar uso diário e prolongado do mesmo.

Uma opção para quem prefere produtos naturais é o óleo de eucalipto e limão, que apresenta eficácia semelhante ao DEET 10%.

Durante a década de 1960 um trabalho mostrou que o consumo de vitamina B1 poderia produzir odores na pele que manteriam as fêmeas do mosquito afastadas. Até hoje, entretanto, não foi publicado mais nenhum outro trabalho científico que confirmasse tal resultado, o que significa que não há evidências claras de que a vitamina B1 seja efetiva contra as picadas de mosquitos

Produtos eletrónicos e por ultrassons vendidos como repelentes não apresentam comprovação científica da sua eficácia. Apenas os aparelhos de tomada que libertam inseticida (líquido ou pastilha) são eficazes em ambientes fechados, mas devem ser evitados em quartos com bebés, devido ao risco de intoxicação.

Como tratar as picadas?

As picadas de mosquito, na grande maioria dos casos, não acarreta maiores complicações, porém, pode ser muito incómoda, principalmente se forem múltiplas. O mais importante é evitar o coçar frequentemente, pois as unhas podem causar feridas na pele, facilitando a infeção secundária por bactérias.

Se a comichão for muito intensa, deve colocar-se uma compressa de gelo no local. Se não for suficiente, é possível usar algumas substâncias tópicas que aliviam. Uma simples é a mistura de bicarbonato de sódio com água, de forma a criar uma pasta. Algumas alternativas incluem a solução de calamina ou o gel Fenistil®. Pomadas com corticoides também podem ser usadas. Se as picadas forem múltiplas ou houver estrófulo (inflamação e alergia da pele), o uso de anti-histamínicos orais é uma solução.

Sitio consultado: http://www.mdsaude.com/2011/07/picada-mosquito.html

Prof. Isabel Cristina

 

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