Projeto “Ambiente e sustentabilidade”: #Desafio de Março

As professoras responsáveis,
Alice Viveiros
Olívia Magalhães
29/03/2021

O desperdício alimentar é reconhecido como uma séria ameaça para a segurança alimentar, a economia e o ambiente. De acordo com a Agência Europeia do Ambiente, todos os anos, são desperdiçados, ao longo da cadeia alimentar, cerca de 1/3 dos géneros alimentícios produzidos para consumo humano.

 

“Nunca duvides de que um pequeno grupo de cidadãos conscientes e empenhados pode mudar o mundo; na verdade, é a única coisa que alguma vez o conseguiu.”
(Margaret Mead)

 

Estratégias para a redução do desperdício alimentar – Da compra à confeção


O desperdício alimentar é reconhecido como uma séria ameaça para a segurança alimentar, a economia e o ambiente. De acordo com a Agência Europeia do Ambiente, todos os anos, são desperdiçados, ao longo da cadeia alimentar, cerca de 1/3 dos géneros alimentícios produzidos para consumo humano.


A nível nacional, o PERDA (Projeto de Estudo e Reflexão sobre o Desperdício Alimentar) estimou que cerca de 17% das partes comestíveis dos alimentos produzidos são perdidos ou desperdiçados, o que representa um milhão de toneladas por ano.


Na União Europeia, cerca de 20% do total de alimentos produzidos a cada ano são desperdiçados, custando aproximadamente 143 mil milhões de euros.


A quantidade de desperdício alimentar verificado a nível global seria suficiente para combater a desnutrição em 1/8 da população mundial e contribuir para enfrentar o desafio de alimentar a população mundial em crescimento.


É, sem dúvida, um dos maiores (e mais lamentáveis) paradoxos do nosso tempo. Trata-se de uma situação inaceitável e imoral. Não podemos, como comunidade, continuar a descartar comida. Temos o imperativo moral de a valorizar e aproveitar, porque temos a sorte de a ter. O caráter prioritário desta luta é confirmado pelo âmbito de ação do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 12.3 que define como desígnio coletivo “Até 2030, reduzir para metade o desperdício de alimentos “per capita” a nível mundial, de retalho e do consumidor, e reduzir os desperdícios de alimentos ao longo das cadeias de produção e abastecimento, incluindo os que ocorrem pós-colheita.”


Para além desta dimensão social e ética, o desperdício tem também um impacto ambiental, considerando o gasto de recursos naturais escassos (solo, água e energia). A redução do desperdício alimentar contribui para a luta contra as alterações climáticas, uma vez que, por si só, o desperdício em questão gera cerca de 8% das emissões globais de gases com efeito estufa. Deste modo, menos desperdício significaria um uso mais eficiente dos terrenos e uma melhor gestão do gasto de água.


Todos temos um papel na prevenção e redução do desperdício alimentar e, enquanto consumidores, existem várias estratégias às quais podemos recorrer para otimizar a nossa gestão alimentar.


Assim, seguem-se algumas recomendações neste sentido.


1. Planeie as refeições (semanalmente) e elabore a respetiva lista de compras (comprando apenas o que é expectável utilizar, haverá maior probabilidade de realmente consumir tudo);

2. Consulte o prazo de validade de todos os produtos;

3. Comece por utilizar os hortícolas e as frutas mais maduras e só depois as mais verdes;

4. Utilize os frutos mais maduros para preparar batidos de fruta;

5. Reaproveite as sobras de batatas do dia anterior para fazer a base de uma sopa ou um puré de batata;

6. Utilize as sobras de peixe ou carne para preparar uma salada ou um empadão;

7. Aproveite as sobras de hortícolas para confecionar uma sopa ou um esparregado (o que resultaria em desperdício alimentar torna-se num delicioso manjar);

8. Com o pão do dia anterior, poderá fazer torradas para o pequeno-almoço ou lanche;

9. Aproveite a água da cozedura dos legumes para sopas e/ou cozidos;

10. Não deite fora as cascas de determinados hortícolas ou frutas (cebola, limão ou laranja), pois pode aproveitá-las para fazer chá, compotas ou detergentes para limpar a casa;

11. Cozinhe apenas as quantidades necessárias para o número de pessoas que irão consumir a refeição;

12. Congele os alimentos confecionados que sobrarem ou coloque-os no frigorífico em recipientes apropriados.

 


Iniciativas


Com o aumento da sensibilização para as questões relativas ao desperdício alimentar, têm surgido, a nível nacional e internacional, várias iniciativas, projetos, aplicações, entre outros, precisamente com a missão de contribuir para a redução deste mesmo desperdício:


Too Good to Go: Aplicação que conecta restaurantes, supermercados, superfícies comerciais com o consumidor e permite que seja vendido o excedente alimentar, reduzindo o desperdício e otimizando os recursos, sendo os produtos vendidos a preços mais baixos.
Phenix: Esta é uma aplicação onde são aproveitados os excedentes de restaurantes, pastelarias, mercearias e cafés, mas também lojas, como floristas. Pratica preços bastante mais reduzidos, com descontos até 50%.


Olio: Nesta aplicação, pode partilhar com vizinhos alimentos ou outros bens, em vez de os deitar fora. No caso de ter comida em casa que não vai conseguir consumir antes de se estragar, pode colocar na aplicação assim como ver se alguém tem comida para doar que lhe interesse.


Reefood: Talvez um dos projetos mais conhecidos, a Refood recolhe excedentes alimentares em restaurantes, pastelarias, cantinas e supermercados. Os alimentos são depois entregues por voluntários a famílias carenciadas.


Fruta Feia: A cooperativa Fruta Feia resulta de uma iniciativa para aproveitar fruta e vegetais que, de outra forma, seriam desperdiçadas, por não terem o aspeto perfeito ou o calibre necessário.


GoodAfter: Supermercado “on-line” dedicado à venda de produtos que se encontram perto do fim do prazo de consumo preferencial, ou mesmo ultrapassado esse prazo, estando ainda aptos para o consumo. Para além de contribuir para evitar o desperdício alimentar, tem descontos até 70%.


Kitchen Dates: Um modelo de restaurante sem desperdício, onde não existe um caixote do lixo, mas apenas um compostor. Os produtos utilizados são sazonais e de origem vegetal. Os hortícolas vêm de um raio de 50 km, para diminuir a pegada ecológica, e o resto dos produtos não podem ter origem a mais de 500 km.


Equal Food: Startup que faz parcerias com agricultores de várias regiões do país, e também de Espanha, que fornecem excedentes imperfeitos, mas em perfeitas condições de consumo, que não são vendidos nos canais habituais. Vende cabazes de legumes e fruta até 40% mais baratos.


Saudável e Sem Desperdício: Livro que aborda como pode praticar uma cozinha mais sustentável e que gere menos lixo, como ir às compras de forma mais consciente, como armazenar e preservar os alimentos e como aproveitar os ingredientes na íntegra.


Blog da Spice: Aborda, para além da culinária, dicas de sustentabilidade e “slow living”, incluindo como cozinhar sem desperdício.

 


Receita


O aproveitamento integral dos alimentos contribui, sem dúvida, para a redução do desperdício alimentar e para o enriquecimento alimentar, incrementando o valor nutricional das refeições.



Bolo de casca de banana



Ingredientes:

- 3 bananas maduras;

- 3 cascas de banana;

- 2 ovos;

- 1 iogurte;

- 100g farinha;

- 70g de aveia (flocos finos ou farinha);

- 1 colher de chá de fermento;

- 2 colheres de sopa de mel ou outro adoçante.

 

Preparação:

- Pré-aquecer o forno a 180º C;

- Lavar as cascas de banana e batê-las num liquidificador;

- Esmagar as bananas e juntá-las às cascas liquidificadas, acrescentando também as gemas;

- Adicionar o iogurte, o mel e bater tudo;

- Adicionar a aveia e a farinha e envolver;

- Por último, adicionar as claras batidas em castelo;

- Levar ao forno durante 30 a 40 minutos.

 

Fontes:
- Johnson, B. (2013). Desperdício zero. 3.ª edição, Editorial Presença. Lisboa. (site: Home - Zero Waste Home);
- Bento A, Pimenta I, Real H. (2011). Como reduzir o desperdício alimentar. Vol. 1, Associação Portuguesa dos Nutricionistas;
- Alimentar com consciência: estratégias a implementar pelo Consumidor para repensar, reduzir, reutilizar e reciclar na alimentação diária [Internet]. [cited 2021 Feb 4] (site: www.apn.org.pt).


 

Agradecimentos especiais:
- ao Dr. Rui Tíbério pela edição do vídeo;
- à Ana Sofia Magalhães Santos (aluna do 10.º E1 e filha da professora Olívia Magalhães) pela produção do vídeo.


As professoras responsáveis,
Alice Viveiros
Olívia Magalhães